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Anais :: 69° CBEn • ISSN: 2318-6518
Resumo: 1695


1695

Violência obstétrica: Um assunto que precisa ser discutido

Autores:
Bruniele da Costa Santos (sbruniele@gmail.com) (Universidade Federal de Sergipe) ; Renata Jardim (Universidade Federal de Sergipe) ; Dalva Eloiza Santos Silva (Universidade Federal de Sergipe) ; Jaqueline Guimarães Elói de Brito (Universidade Federal de Sergipe) ; Anne Kelly Paes Alves Feitosa (Universidade Federal de Sergipe) ; Márcia Schott Souza E Silva (Universidade Federal de Sergipe)

Resumo:
Introdução: Violência é definida pela Organização Mundial da Saúde como a sobreposição de um grau de dor e sofrimento evitáveis. Zanardo et al. (2017) consideram a violência obstétrica (VO) como o uso excessivo de medicamentos e intervenções no parto, assim como a realização de práticas consideradas desagradáveis e muitas vezes dolorosas, não baseadas em evidências científicas. Diniz et al. (2015) percebem a necessidade de enfrentamento e responsabilização dos atores envolvidos nessas práticas. Objetivos: Conhecer as orientações a respeito da violência obstétrica realizadas durante o pré-natal e estimar a presença do relato de VO. Metodologia: Estudo de caráter exploratório, observacional, descritivo e quali-quantitativo realizado por meio de entrevistas semiestruturadas com 6 gestantes, que realizam pré-natal em uma Clínica de saúde da Família e duas na Maternidade de Lagarto/Sergipe, no período de Junho e Julho de 2017. Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa conforme Parecer Consubstanciado (nº 949.513). Resultados: Participaram do estudo oito gestantes, duas de risco elevado (Atenção Secundária) e seis de risco habitual (Atenção Primária). Apenas uma (13%) relatou ter sido orientada sobre VO durante as consultas. Das participantes multíparas, 38% (3) já sofreram episiotomia no primeiro parto; 25% (2) foram submetidas a manobra de Kristeller, e 38% (3) utilizaram ocitocina sintética para indução do parto. Entretanto, uma (13%) relatou ter sofrido VO no serviço de saúde em gestações anteriores: "Quando cheguei na maternidade estava todo mundo dormindo, eu gritava e ninguém ligava, ficavam me dando piada dizendo: não foi bom pra fazer? essas coisas"(E3). Conclusão: Apesar da pequena amostra, os resultados evidenciam que as orientações sobre VO encontram-se deficitárias e as suas práticas prevalentes. Diante disto, deve-se ampliar espaços de discussão sobre práticas baseadas em evidências científicas e sobre a não adoção de práticas violentas. Descritores: Violência contra a mulher, parto obstétrico.


Referências:
DINIZ, Simone Grilo et al . Violência obstétrica como questão para a saúde pública no Brasil: origens, definições, tipologia, impactos sobre a saúde materna, e propostas para sua prevenção. J. Hum. Growth Dev., São Paulo, v. 25, n. 3, p. 377-384, 2015 . Disponível em . Acesso em 27 jul. 2017. World Health Organization, Department of Reproductive Health & Research. Care in normal birth: a practical guide [Internet]. Geneva; 1996 [cited 2017 Jul 27]. Available from: http://whqlibdoc.who.int/hq/1996/WHO_FRH_ MSM_96.24.pdf Zanardo, Gabriela Lemos de Pinho; Uribe, Magaly Calderón; Nadal, Ana Hertzog Ramos De; Habigzang, Luísa Fernanda. Violência obstétrica no brasil: uma revisão narrativa. Rev. Psicologia & Sociedade. Porto Alegre, p. 1-11. 09 Out. 2016. Disponível em: Acesso em 27 Jul. 2017.