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Anais :: 69° CBEn • ISSN: 2318-6518
Resumo: 1785


1785

A (DES)CONSTRUÇÃO DOS PAPÉIS SOCIAIS DE GÊNERO NO FILME "HISTERIA"

Autores:
Rosa Maria Godoy Serpa da Fonseca (presidente@abennacional.org.br) (Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo) ; Lucimara Fabiana Fornari (Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo) ; Danyelle Leonette Araújo dos Santos (Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo) ; Rafaela Gessner (Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo)

Resumo:
Introdução: As questões de gênero perpassam a dimensão do cuidado em enfermagem, portanto, evidencia-se a necessidade de abordar essa temática na formação profissional. Objetivo: Analisar o filme "Histeria" e verificar sua potencialidade como estratégia para o ensino de gênero na enfermagem. Metodologia: Estudo de caso, utilizando roteiro semi-estruturado para captar informações sobre os personagens do filme e suas relações. As cenas e os diálogos foram analisados à luz da categoria gênero. Resultados: O filme retrata a histeria feminina como uma doença, apresentando o prazer sexual como patologia. O tratamento das mulheres ditas histéricas consistia em massagens vaginais que provocavam orgasmos. Destaca-se o personagem Granville, médico recém formado, contratado pelo Dr. Dalrymple, especialista renomado na área da saúde da mulher. A dor crônica desencadeada na mão de Granville, devido aos movimentos repetitivos que realizava diariamente nas massagens vaginais, foi o gatilho para que ele desenvolvesse o massageador elétrico, considerado o primeiro vibrador feminino. O filme pontua a imponente presença do patriarcado por meio da relação intergêneros estabelecida entre Dr. Dalrymple e suas filhas: Emille e Charlotte. Enquanto Emille reforça o estereótipo feminino da mulher como responsável pelo espaço doméstico e dependente da figura masculina, Charlotte, transgride o papel de mulher socialmente aceito, defendendo a participação feminina no espaço público. Conclusões: Constatou-se a medicalização do corpo e da sexualidade da mulher. O vibrador feminino surgiu como uma demanda masculina e não das mulheres histéricas. Observa-se, ainda, a superação do estereótipo feminino socialmente construído por meio da personagem Charlotte. Contribuições para a Enfermagem: O filme apresenta-se como estratégia de ensino para discutir a medicalização dos corpos femininos, leva a refletir sobre os papéis sociais determinados aos homens e às mulheres e a possibilidade de superar as desigualdades nas relações entre os gêneros. Descritores: Gênero e Saúde; Educação; Enfermagem.


Referências:
FONSECA, Rosa Maria Godoy Serpa da . Gênero como categoria para a compreensão e a intervenção no processo saúde-doença. PROENF- Programa de atualização em Enfermagem na saúde do adulto. Porto Alegre: Artmed/Panamericana, 2008, v. 3, p. 9-39